Há algum tempo eu andava pensando em alugar uma moto para fazer um passeio durante alguma viagem.
Em uma promoção de uma companhia aérea no ano passado, eu e minha esposa compramos passagens no período da Páscoa para os Estados Unidos. Como o roteiro incluía três dias em Miami comecei a pesquisar sites sobre aluguel de moto e encontrei três:
– http://www.americanrider.net
– http://www.eaglerider.com
– http://www.petersonsharley.com
A American Rider oferece modelos de várias marcas, mas a localização era meio contramão pra mim e não tinha a moto que eu queria na data escolhida.
A Eagle Rider têm filiais no mundo todo, inclusive no Brasil.
Após algum tempo de estudo acabei optando pela Peterson’s Harley por dois motivos: o ótimo atendimento que recebi por e-mail e também o fato de ser revenda autorizada da Harley-Davidson em Miami – que, provavelmente, seria um indicativo de que a moto oferecida para locação seria nova ou ao menos obedeceria aos padrões de qualidade da marca.
Sem desmerecer as demais, considero que acertei na escolha, pois após fazer a reserva por e-mail, na qual tive que informar meus dados pessoais e cartão de crédito, logo recebi um voucher para apresentar no dia da locação.
Vocês devem estar pensando: Qual o modelo reservado?
Dentre os vários disponíveis optei pela Fat Boy Lo por alguns motivos:
1) Tenho habilitação para moto há pouco mais de um ano e não tenho moto, logo tenho pouca experiência;
2) É uma moto mais baixa e fica fácil botar os dois pés no chão para manter o equilíbrio, ainda mais levando em conta que minha esposa ia na carona e não sou muito alto (1,75m);
3) O pneu traseiro é largo, o que pra mim representa mais estabilidade;
4) O visual dela, que pra mim é um dos modelos mais bonitos da Harley-Davison, sem firulas;
5) É o modelo utilizado pelo Exterminador. Se ele a escolheu quem sou eu pra discordar? 😀
Optei por retirar a moto na filial South da Peterson’s Harley, que fica na 19825 South Dixie Highway, Cutler Bay, em Miami. Fui até lá com a camionete que eu havia alugado na Alamo. Chegando perto já deu pra ver de longe a enorme loja que eles têm por lá.
Para os aficionados pela marca dá pra comprar de tudo, desde motos (óbvio) até o pratinho de comida do seu cão de estimação. Prepare o bolso, porque é impossível não sair com uma lembrancinha de lá, apesar de os preços não serem muito convidativos para os brasileiros. Franceses e japoneses, estes sim, faziam um rancho com suas moedas fortes.
Como meu roteiro incluía apenas 3 dias em Miami reservei a moto por um dia, com retirada às 13h e devolução no dia seguinte, no mesmo horário. Achei melhor assim para poder aproveitar a moto em 2 dias diferentes e evitar ficar cansado demais, dada minha falta de experiência.
Cheguei à loja antes do horário agendado, dei uma olhada por tudo, tomei um café e comprei uma camiseta da HD para passear de moto (não resisti). Depois, fui até o setor de locações onde apresentei meu passaporte, carteira de habilitação brasileira (não precisou da internacional – PID), voucher e cartão de crédito. Nada foi cobrado na hora.
Vale lembrar que a vestimenta tem que ser adequada ao veículo, então nada de bermudas e chinelo de dedo. Jaqueta de couro é indicada, mas não obrigatória. E usem protetor solar. Pelo amor de deus, não façam como eu – bem feito, tomei um solzão e virei um camarão.
Como não tenho muita experiência, e também levando em conta o valor da moto, optei por todas as coberturas de seguro. Aliás, vou discriminar aqui os valores pagos:
– Uma diária: US$160.00.
– Supplemental Liability: US$13.31.
– Loss Damage Waiver: US$25.00.
– Accident and Property: US$9.50.
– Prepaid Tolls (pedágio): US$5.00.
– Surcharge: US$2.00.
– Sales Taxes (7%): US$11.20.
Total: US$226,01.
É feito um bloqueio da franquia no cartão de crédito, de acordo com a cobertura escolhida.
Fui avisado de que eles dão uma tolerância de alguns minutos em caso de atraso na devolução, mas custa US$25.00. Passada uma hora, aí há cobrança de uma nova diária.
O tanque de combustível é entregue cheio, e assim deve ser devolvido. Uns 500 metros antes da loja há um posto Shell, então recomendo que o reabastecimento seja feito ali.
No valor da diária está incluído o empréstimo de 2 capacetes e de roupas de chuva, além de quilometragem livre. Eles não oferecem mais a opção de aluguel de GPS, mas avisam antes para quem quiser levar o seu. Na Fat Boy deles, entretanto, não há tomada para energia elétrica. Levei meu GPS mesmo assim e deixei ele guardado na pequena bolsa que há no guidão, em caso de me perder.
Acertada a papelada, fui ver a moto com o atendente. Ela tinha acabado de sair do banho, prontinha pra me esperar. Moto NOVA! Rodou poucas milhas (não lembro quantas agora), sem nenhum detalhe. Fomos para o pátio onde ele me deu algumas instruções e pediu pra eu dar uma voltinha ali. Tudo certo e fui liberado.
Perguntei como faria para ir em direção a Key West, o cara me disse que era só fazer o retorno um pouco adiante da loja e ir sempre reto pela própria Dixie Highway. Baita barbada, e nem ia precisar usar o GPS.
Aliás, minha ideia original era ir de moto até Key West, dormir lá e regressar no dia seguinte. No entanto, como os hotéis lá estavam com a diária pela hora da morte (era feriado), resolvi ir até onde aguentasse e então retornar.
Quanta diferença em relação ao trânsito no Brasil. Lá SEMPRE fui respeitado pelos motoristas dos outros veículos. NINGUÉM tentou forçar ultrapassagem ou se aproximou perigosamente de mim. Para aqueles que têm medo/receio, eu digo: foi MUITO TRANQUILO andar de moto lá. Mesmo quando eu andei em uma parte da estrada com pista simples e estava abaixo do limite de velocidade, ninguém ficou tentando me ultrapassar, buzinando ou coisa parecida. Se fosse aqui no Brasil já tinham passado por cima.
Foi um belo passeio pelas ilhas. Rodamos pouco, em torno de 100 milhas (cerca de 160 quilômetros) até um pouco depois de Marathon e Key West ficava a pouco mais de 80 quilômetros além. Resolvemos voltar, pois o cansaço já estava batendo, então apenas paramos para tirar fotos, fazermos um lanche e também para abastecer. Segundo outro motociclista que encontrei no posto de combustível custa cerca de US$13.00 para encher totalmente o tanque dela.
Quanto à moto em si, uma joia, motor potente, freios ABS e encosto para o carona. A que eu aluguei era um roxo escuro e às vezes parecia preto. Em algumas oportunidades acelerei até umas 70mph (uns 100 km/h), mas o capacete fornecido vibrava muito, apesar da “bolha” que protegia do vento frontal. Além disso, a intenção era passear, não era correr.
Já era noite quando chegamos na Peterson’s para buscar o carro (eles têm estacionamento onde dá até pra deixar o carro pernoitando) e fomos para o hotel. Chegamos umas 21h30 e não quisemos sair pra jantar de moto, dado o cansaço.
No dia seguinte, acordamos umas 8h30 e estava chovendo forte. Droga, não ia dar pra aproveitar! Fomos tomar café da manhã e, quando voltamos, a chuva tinha parado e o sol começado a aparecer. Nos arrumamos e fomos até Miami Beach passear um pouco. Andar de Harley na ponte que liga Miami a Miami Beach, com vários navios de cruzeiro ao lado, foi uma experiência sensacional!
Passeio feito era hora de devolver a moto. Pertinho da loja, reabasteci e, pouco depois, com dor em minha alma (como diria o poeta), devolvi a Fat Boy. Não foi um adeus, foi um até breve.
Fonte: Falando de Viagem
