Monthly Archives: September 2014

Dias grátis nos museus de Miami

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Não é preciso ter rios de dinheiro para se divertir em Miami. Na verdade, há muito o que experimentar de graça nessa grande cidade, e quem não gosta de receber algo de graça? Como anfitriões de muitos dos artefatos mais incríveis do mundo, obras de arte raras e rica história e arquitetura, os museus de Miami proporcionam aos visitantes e residentes uma experiência inesquecível. Se você estiver planejando uma viagem em família ou apenas explorando os pontos históricos, paisagísticos e culturais diretamente do seu próprio quintal, nós temos o que você procura!

Veja esta lista de museus gratuitos para alimentar a mente e nutrir a alma.

Sempre grátis

MDC Museum & Galleries of Art + Design
Localizado no coração de Downtown Miami, no campus do centro da cidade do Miami Dade College você encontrará o MDC Museum & Galleries of Art + Design. Com mais de 1.300 metros quadrados de espaço, esse museu é uma das maiores e mais diversificadas instituições do país dedicadas às artes visuais. Os visitantes encontrarão uma impressionante coleção de obras de arte de artistas novos, bem como de figuras importantes da arte moderna, pós-moderna e contemporânea. Shows, palestras e eventos são gratuitos e abertos ao público.

The Patricia & Phillip Frost Art Museum
Localizado no campus University Park da Florida International University, o Patricia & Phillip Frost Art Museum foi projetado pelo arquiteto Yann Weymouth e é considerado uma obra-prima da arquitetura contemporânea. Esse moderno edifício usa sua luz natural para expor os quadros. Os visitantes podem passear pelas várias galerias do museu e ver as exposições inovadoras que vão desde programas regionais únicos a programas reconhecidos nacionalmente. Palestras incríveis também são oferecidas.

Bay of Pigs Museum
Para os amantes da história, o Bay of Pigs Museum oferece uma pequena quantidade de itens colecionáveis que conta um pouco da história da invasão fracassada de Cuba pela Brigada 2506 no ano de 1961. Uma peça notável é uma bandeira da Brigada 2506 que foi erguida pelo presidente John F. Kennedy durante um discurso que ele fez no Orange Bowl em 1962.

Grátis em alguns dias

Bass Museum of Art
Dia grátis: o último domingo de cada mês, das 12h às 17h.
Dia grátis para correntistas do Bank of America & Merrill Lynch: primeiro sábado e domingo de cada mês (das 12h às 17h, até o final de 2013).
O IDEA @ thebass é gratuito para crianças e adultos no último domingo de cada mês, das 14h às 16h.

No coração do histórico Art Deco District (Bairro de Art Déco), o Bass Museum of Art oferece uma visão abrangente de uma arte distinta. De sua coleção permanente (antigos mestres europeus, retratos ingleses do século XVIII, esculturas, xilogravuras chinesas e muito mais) à realização de exposições itinerantes de primeira classe, palestras, workshops e uma maravilhosa loja de suovenirs, há algo para todos. As atividades do IDEA@thebass incluem projetos de arte, gincanas e prêmios. A entrada é sempre gratuita para crianças menores de 6 anos de idade.

Gold Coast Railroad Museum
Dia grátis: o primeiro sábado do mês, exceto em março, quando o museu realiza o evento popular Day out with Thomas.

Um museu imperdível para qualquer entusiasta de trens, você encontrará muitos trens para explorar no Gold Coast Railroad Museum. Essa exposição de modelos de trens inclui várias escalas e, para as crianças menores, vários tabuleiros do Thomas the Tank Engine para jogos interativos. Você encontrará peças raras de coleção, incluindo “Ferdinand Magellan”, o vagão de trem privado construído para o presidente Franklin Roosevelt, e a locomotiva 153 da Florida East Coast Railway. Esse museu único é sempre gratuito para crianças menores de dois anos de idade.

HistoryMiami (antigo Historical Museum of Southern Florida)
Dia grátis: o segundo sábado do mês.

Instituição cultural e programa de sócios do Smithsonian Institute, esse museu tem o compromisso de reunir, preservar e celebrar a história única de Miami. Os dias de diversão em família, que são o segundo sábado de cada mês, oferecem a crianças e adultos a oportunidade de aprender e experimentar algo de novo e divertido. Crianças menores de seis anos de idade nunca pagam, assim como os veteranos entre o Memorial Day e o Labor Day.

Jewish Museum of Florida
Dia grátis: todos os sábados.

O Jewish Museum of Florida está situado em dois adoráveis edifícios restaurados que já serviram como sinagogas para a primeira congregação de Miami Beach. Localizado no bairro South of Fifth de South Beach, o museu possui 80 vitrais, lustres Déco e uma cúpula de cobre dos Mouros. As exposições temporárias mudam ao longo do ano nos dois edifícios, mas a exposição principal, MOSAIC: Jewish life in Florida, de 1763 até o momento, é a parte mais importante do museu. Crianças menores de seis anos de idade têm entrada franca.

Lowe Art Museum
Dia grátis: dia da doação, a primeira terça-feira de cada mês. O tour gratuito pela galeria começa às 13h.

Localizado em Coral Gables, no campus da bela Universidade de Miami, esse museu de arte é considerado o mais antigo de Miami. Com uma variedade de obras de arte permanentes, bem como exposições temporárias, esse é o único museu da região com uma coleção notável de antiguidades egípcias, gregas e romanas. A entrada é sempre gratuita para crianças menores de 12 anos de idade.

Miami Children’s Museum
Dia grátis: terceira sexta-feira do mês, das 15h às 21h.
Dia grátis para correntistas do Bank of America & Merrill Lynch: primeiro sábado e domingo do mês (das 10h às 14h, até o final de 2013).

Visitantes de todas as idades adorarão as atividades e artes interativas e bilíngues espalhadas por todo o museu. As exposições atraentes incentivam a aprendizagem através da brincadeira. No primeiro andar, as crianças têm a oportunidade de explorar um banco, supermercado, centro de saúde e bem-estar, clínica veterinária e estúdio de televisão – tudo feito sob medida para eles. Nos andares superiores, crianças de todas as idades podem fazer arte e música, embarcar em um navio de cruzeiro em tamanho natural, escalar um castelo de areia de dois andares e muito mais. A entrada é sempre gratuita para crianças menores de um ano de idade.

Museum of Contemporary Art North Miami (MOCA)
Dia grátis para correntistas do Bank of America & Merrill Lynch: primeiro sábado do mês (das 11h às 17h); primeiro domingo do mês (das 12h às 17h) até o final de 2013.

Conhecido pela busca de uma nova abordagem e, às vezes provocante, de examinar a arte, o Museu de Arte Contemporânea (Museum of Contemporary Art – MOCA) é internacionalmente reconhecido e respeitado por sua capacidade de definir as novas tendências e direções da arte contemporânea. O MOCA apresenta até dez exposições por ano, oferecendo uma mistura encantadora e mutante de artistas emergentes e estabelecidos. O MOCA é sempre gratuito para crianças menores de 12 anos de idade, moradores de North Miami, funcionários da prefeitura e veteranos.

Miami Science Museum
Dia grátis: o observatório tem entrada franca na primeira sexta-feira do mês, das 20h30 às 22h.
Dia grátis para correntistas do Bank of America & Merrill Lynch: primeiro sábado e domingo do mês (das 10h às 18h, até o final de 2013).

Originalmente construído em 1949, o Miami Science Museum é um afiliado do Smithsonian Institute. O museu apresenta exposições nacionais itinerantes, e os visitantes podem ver demonstrações de ciência ao vivo e espetáculos teatrais diariamente. Enquanto estiver lá, não perca o centro de vida selvagem, onde encontrará aves raras e exóticas, e o Miami Planetarium, lar de dois poderosos telescópios do Weintraub Observatory. Você ficará maravilhado com a Via Láctea e verá as galáxias distantes durante o espetáculo estelar mensal do observatório. A entrada é sempre gratuita para crianças menores de dois anos de idade no Miami Science Museum.

Wolfsonian-FIU Art Museum
Dia grátis: todas as sextas-feiras após as 18h.

Esse museu de arte de renome internacional está situado em um armazém de 1926 de estilo mediterrâneo que fica no coração do histórico bairro artístico de Miami. Os visitantes que adoram arte não se decepcionarão com as exposições magníficas, quadros, cerâmicas, cartazes, livros, móveis e criações arquitetônicas da era moderna. Não deixe de visitar a loja de souvenirs e o café do museu, no piso térreo. Confira a seleção de presentes não convencionais, livros e filmes inspirados na coleção do museu. Crianças menores de seis anos de idade têm entrada franca.

As datas estão sujeitas a alterações e podem não incluir taxas para ver exposições especiais. Visite os sites dos museus para saber os detalhes da entrada, bem como as políticas para os membros de comunidades específicas, como militares e grupos escolares locais.

As atrações da Flórida além de Miami e da Disney

Cidades da região central do Estado americano têm opções como o Kennedy Space Center e o Legoland.

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— À esquerda, vocês podem ver o Walt Disney Resort — avisa nosso guia enquanto deslizamos pela Rota 27.

Em sete dias na Flórida, é uma das poucas vezes que cruzamos com qualquer sinal de Mickey, Minnie e companhia. A casa do programa espacial americano nos últimos 50 anos, lagos repletos de jacarés e a praia que formou o maior surfista do mundo convencem quem se dispõe a explorar o Estado caliente na costa leste dos EUA de que há mais do que compras e contos de fadas a se desfrutar por ali.

Para conhecer tudo isso, o primeiro passo é alugar um carro no aeroporto — há boas opções a partir de US$ 30 por dia. Pela Rota 27 Sul, a 80 quilômetros do Aeroporto Internacional, chega-se a Polk. Coração da Flórida Central, com temperaturas médias que variam de 9ºC a 22°C no inverno e de 23°C a 32°C no verão, o condado é preferência de aposentados e outros refugiados do frio.

Para turistas em férias, a região reúne uma porção de atrações naturais e aquáticas — o calor e os lagos inspiram os nomes das principais cidades turísticas da região. Em Lakeland, Lake Wales e Winter Haven, é possível passear de air boat por águas repletas de jacarés, assistir a shows aquáticos no monumental parque da Lego e comer peixe fresco de frente para o Lago Ned.

Outra opção ao desembarcar em Orlando é percorrer cerca de 60 quilômetros rumo à Space Coast (“costa espacial”), onde estão situados a charmosa Cocoa Beach (“praia do cacau”) e o Kennedy Space Center — complexo da Nasa (agência espacial americana), de onde o homem voou para a Lua.

Não importa que rota você tome, há muita Flórida a descobrir. No caminho, sempre se arranja tempo para visitar os abundantes outlets — o verdadeiro paraíso para os apaixonados por compras de grandes marcas a preços reduzidos.

Kennedy Space Center

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Estrela mais brilhante do Cabo Canaveral, o Kennedy Space Center fica 60 quilômetros a leste de Orlando — e é o mais perto que você vai chegar de uma viagem à Lua (por enquanto). Essa é a sensação imediata ao se passar pelo pórtico do complexo de visitantes da Nasa e deparar com o pátio cheio de foguetes aposentados.

Mesmo os menos interessados pela exploração do espaço se espantam ao visitar a exposição Atlantis. O ônibus espacial mais viajado da agência americana cruzou 33 vezes a estratosfera rumo ao vácuo interplanetário antes de estacionar no pavilhão de 8,5 mil metros quadrados em que agora repousa com as comportas abertas. Ao seu redor, atrações como roupas de astronauta e um passeio por uma réplica da Estação Espacial Internacional.

Na mostra Apollo, que reúne relíquias — ou seriam provas? — das viagens tripuladas à Lua, o magnífico foguete Saturn V pendurado sobre as cabeças dos visitantes não impressiona mais do que os fragmentos de rocha lunar — é possível tocar em um pedacinho do satélite natural.

Diferentes experiências audiovisuais, de cinemas Imax a simulação de lançamento espacial, garantem a diversão dos mais velhos, enquanto Angry Birds e a chance de almoçar com astronautas do programa espacial americano encantam a criançada.

Com ingressos a US$ 50 (crianças com até 11 anos pagam US$ 40), o Kennedy Space Center é um universo a ser explorado da abertura ao fechamento do complexo. Algumas atividades, como o almoço com astronautas e os cobiçados lançamentos, são cobrados à parte e sujeitos à disponibilidade de lugares.

Lego, muito Lego

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Localizado em Winter Haven, o Legoland é uma alternativa à Disney para a criançada de dois a 12 anos. No maior parque da Lego do mundo, 58 milhões de pecinhas coloridas compõem a paisagem — boa parte delas, empregada em recriações detalhistas de cidades americanas como Nova York e San Francisco (e do próprio Kennedy Space Center). As réplicas com poucos metros de altura parecem grandes monumentos para as crianças que circulam impressionadas pelas atrações.

Montanhas-russas, aula de direção para pitocos, brincadeiras aquáticas e espetáculos igualmente molhados compõem a carta de opções do parque. Protetor solar é obrigatório em qualquer época do ano. Às 9h45min, quando o Legoland abre as portas, o sol é digno de nota, e a longa fila no pórtico de entrada parece se multiplicar nas atrações no interior do parque.

Munido de um passe premium (US$ 150), pode-se deixar as filas para trás e ainda se fartar com comida e bebida liberadas. Mas ainda é preciso pagar os US$ 80 pelo ingresso comum.

Uma dica

Seja no Kennedy Space Center, na Legoland ou nas atrações naturais, convém levar um dinheiro extra para suvenires: há uma porção de lojas vendendo de bótons e canecas a roupas de astronauta completas. Sem falar nos diversos outlets que oferecem vestuário de grifes famosas a preços mais camaradas.

Na Água com Jacarés

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É possível cansar de ver aligátores (ou jacarés-americanos) em qualquer canal de beira de estrada na Flórida. Mas chegar a poucos metros dos bichanos é uma das boas desculpas para fazer um passeio de air boat, lancha movimentada por uma grande hélice de avião localizada sobre a parte traseira da embarcação.

— Já estou surdo — explica nosso guia quando questionado por não usar os protetores de ouvido distribuídos para a dezena de turistas, que pagam US$ 50 pelo passeio de duas horas.

Além de abafarem o ruído enlouquecedor, os acessórios protegem os tímpanos do vento cortante enquanto se desliza a 60 km/h sobre as águas rasas. Nos deliciosos momentos de silêncio, quando o motor é desligado para se chegar perto de um jacaré, é possível contemplar o horizonte distante. Com sorte, se avista uma águia-americana abrindo suas largas asas. (14.900 Camp Mack Rd., Lake Wales. Tel.: (863) 696-1108)

No mar do campeão

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A praia onde cresceu o maior campeão de surfe de todos os tempos tem seus encantos. Além de ser terra de Kelly Slater, Cocoa Beach abriga uma das maiores surf shops do mundo, a Ron Jon. Almoçar em um dos restaurantes do grande pier é uma opção.

Não espere um paraíso caribenho: a água é cristalina, mas repleta de tubarões (embora existam indicações de áreas seguras para banho), e há poucos acidentes naturais na extensa faixa de areia, que às vezes até lembra o nosso Litoral.

Sombra e peixe fresco

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Em Polk, tivemos nossas melhores experiências gastronômicas — todas envolvendo peixes e frutos do mar frescos.

No Harry’s Old Place, em Winter Haven, o cardápio vai de tilápia a atum fresco. Mas o inusitado é beliscar as “gator bites” (pedacinhos empanados de cauda de jacaré), sentado no balcão de frente para o Lago Ned.

No Jimmy Belle’s, em Lakeland, exemplares empalhados de tubarão e aligátor parecem vigiar o balcão de pescados frescos, trazidos diariamente de Miami. Caranguejo, salmão, atum e ostras são servidos da forma que o cliente preferir, e paga-se aproximadamente US$ 15 por prato. Também em Lakeland, o pub Molly McHugh’s (mollymchughs.com) reúne jovens e velhos beberrões.

No Cabo Canaveral, uma boa pedida é ir ao Porto Canaveral à noite: há restaurantes com todo tipo de cardápio e ambientação. No Rusty’s, pode-se comer frutos do mar ou hambúrguer e beber vinho branco ou cerveja IPA, no deck de frente para a água.

*O jornalista viajou a convite de Kennedy Space Center Visitor Complex, Central Florida e Space Coast Kennedy Space Center

Fonte: ZH VIAGENS

Viver em Miami

Cada vez mais brasileiros vivem na capital do sol e das compras. Saiba quem são eles e o que é preciso fazer par a realizar esse sonho.

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 Foi com poucas malas e o sonho de experimentar a vida nos Estados Unidos que a empresária Ana Paula Mariutti, 45 anos, o marido, Alexandre, 46, e os filhos Thomas, 15, e Lucas, 13, desembarcaram no Aeroporto de Miami, na Flórida, no domingo 3. Sócia de duas escolas bilíngues em São Paulo, Ana Paula já estava acostumada a passar as férias na cidade ao menos uma vez por ano. Encantou-se tanto com o lugar que decidiu ficar em definitivo por lá. Os Mariutti vão morar em North Miami Beach, um paraíso a menos de dois quilômetros da praia, e assim se juntam aos 250 mil brasileiros que atualmente vivem na Flórida. A maioria deles, em Miami e arredores, como Fort Lauderlade e Boca Raton. “Sou atraída pelo estilo de vida americano, mas queria um lugar próximo de nossa realidade cultural”, diz Ana Paula. Não é recente o interesse dos brasileiros pela região. A novidade é que o fenômeno agora conhece um terceiro – e mais marcante – ciclo. Primeiro houve a invasão dos turistas, em meados da década de 1990. Depois, no final dos anos 2000, muitos deles descobriram que era vantajoso comprar um imóvel na cidade. Além de o custo ser inferior a similares vendidos no Brasil e da perspectiva de valorização do investimento, parecia ser um jeito de manter uma ligação com a cidade. Agora, nessa terceira fase, as pessoas simplesmente querem ficar – talvez para sempre.

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Qual é a mágica de Miami que seduz tanta gente? Não são poucos os seus atributos. A cidade é daquelas raras que combinam beleza natural com vasta oferta de serviços. São 24 quilômetros de praias de areia branca e mar azul de frente para o Caribe. Mas isso pode ser encontrado em outros lugares. A diferença da capital do sol nos Estados Unidos é todo o resto que ela proporciona. Para quem gosta de ir às compras, talvez não exista melhor destino no mundo. Para os padrões brasileiros, seus preços são baixíssimos. Roupas, eletrônicos, computadores, itens de decoração, cosméticos, artigos para bebês, tudo custa bem menos. Quase sempre, metade do valor praticado no Brasil. Às vezes, um terço. Não é só. Em Miami, os serviços públicos funcionam. Os parques são bem cuidados. Os pedestres são respeitados no trânsito. Se a pessoa mora numa região central, dá para fazer tudo a pé ou de bicicleta. A sensação de segurança permite que se caminhe à noite, de frente para o mar, sem o pavor típico experimentado por quem vive em uma grande cidade brasileira. As escolas públicas são boas. Faz calor boa parte do ano. E Miami é perto de tudo. Até do Brasil. Para São Paulo, são oito horas de voo. Nova York, menos de três. Havana, a capital cubana, 40 minutos.

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A maior deficiência de Miami, e que rendia críticas severas mundo afora, era sua irrelevância cultural. Mas isso está mudando. Se não é uma Paris ou uma Nova York, a região caminha para se tornar um centro cosmopolita. E parte dessa transformação se deve à extensa comunidade latina. Antes vista com certo preconceito, agora ela se insere na sociedade americana pela via mais nobre, a da arte e da cultura. Há seis meses, o antigo Miami Art Museum foi renomeado Pérez Art Museum, depois de um aporte de US$ 40 milhões do bilionário cubano-americano Jorge Pérez. Há muito mais. No inverno, a cidade respira cultura com a realização do Art Basel, reconhecido como um dos mais importantes eventos de arte contemporânea do mundo. Inspirado por essas transformações, o jornal britânico “The Guardian” classificou Miami como “a cidade mais excitante dos Estados Unidos”, um elogio e tanto vindo de uma das publicações mais sisudas da Europa. “Às vezes, Miami parece estar seguindo a fórmula de Londres: especulação imobiliária + arte contemporânea + boom de restaurantes + diversidade cultural = cidade global dinâmica”, escreveu o crítico de arquitetura Rowan Moore, em artigo recente.

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Uma comprovação definitiva dessa tendência é o Design District, região que concentra grifes como Cartier, Louis Vuitton e Louboutin e que, nos últimos anos, ganhou novas galerias, estúdios e antiquários. Perto dali, o bairro de Wynwood fez de suas ruas uma grande galeria de arte alternativa, ao exibir grafites do mundo inteiro, inclusive do Brasil, presente com os desenhos dos Gêmeos. O País desempenha um papel relevante no amadurecimento cultural da cidade. Com uma galeria na Lincoln Road, em Miami Beach, o pernambucano Romero Britto foi um dos primeiros brasileiros a se instalar na região e a fazer sucesso entre americanos e latinos. Neste exato momento, a arte brasileira está em destaque na região. Até setembro, na Galeria Richard Shack do ArtCenter/South Florida, está aberta à visitação uma exposição da escultora e pintora paulista Laura Vinci. “Quando vim para cá de vez, não havia uma ligação relevante da cidade com a arte e a cultura”, afirma Paulo Bacchi, dono da loja de móveis de luxo Artefacto, com três endereços na Flórida e 11 no Brasil. Bacchi trocou São Paulo pelos Estados Unidos em 2002. Fez tanto sucesso por lá que se tornou líder no segmento de móveis de luxo na cidade. “Hoje, Miami é cosmopolita.”

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A presença maciça de brasileiros tem forte impacto na Miami que surgiu nos últimos anos. Graças a eles, os restaurantes começaram a ficar abertos até mais tarde, como acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por causa do Brasil, muitas lojas estimulam seus funcionários a aprender algumas palavras em português. Em 2013, 755 mil turistas brasileiros desembarcaram em Miami, segundo o órgão oficial de turismo da cidade – um avanço de 9,5% em relação ao ano anterior e de quase 20% sobre 2011. Na Flórida como um todo, que abriga os parques da Disney em Orlando, os brasileiros correspondem ao maior contingente de turistas estrangeiros, com 1,8 milhão de visitantes no ano passado e um desembolso total de R$ 5,7 bilhões no período. Isso provocou um aumento nos investimentos das companhias aéreas, interessadas na demanda cada vez maior. Até o fim do ano, a Azul deve inaugurar uma rota já utilizada pela Gol que liga Campinas, no interior de São Paulo, a Fort Lauderdale, a cerca de 40 quilômetros de Miami, com tarifas promocionais a partir de US$ 600. A American Airlines, que realiza voos diretos partindo de várias capitais do País, planeja fazer a mesma rota em breve.

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No mundo dos negócios, os brasileiros provocaram uma revolução, especialmente no setor imobiliário. O movimento começou depois que a crise econômica de 2008 derrubou o preço dos imóveis no mercado americano. Atraídas pela ideia de pagar menos por uma casa de veraneio em Miami do que por uma propriedade no Rio ou em São Paulo, muitas pessoas começaram a procurar apartamentos para investir. Não por acaso, os brasileiros se tornaram o terceiro maior grupo de compradores de imóveis em Miami e arredores. “A procura é tanta que, nos próximos dois anos, eles devem liderar esse ranking”, afirma Claudia Murad, sócia da Unique Living Miami – Exit Realty Brickell. Para atender à crescente demanda, os serviços das corretoras se estenderam a recepção nos aeroportos, reserva de restaurantes, aluguel de carros e barcos e ao cuidado das casas enquanto os proprietários estão fora do país. No segmento de luxo, os brasileiros também representam fatia importante. Projetado pela arquiteta pop star Zaha Hadid, o One Thousand Museum, que tem apartamentos cotados entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões, já vendeu 28% de suas unidades a brasileiros, mais até do que para americanos.

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REQUISITADO
O artista plástico pernambucano Romero Britto foi um dos primeiros
brasileiros a se instalar em Miami e fazer sucesso entre os americanos

Há dez anos, a imobiliária Elite International Realty recebia dois pedidos por mês de brasileiros interessados em se mudar para o sul da Flórida. Hoje são duas consultas por dia – e de pessoas que não querem baixar o padrão que têm no Brasil. Dona de uma casa de cinco suítes em Miami Beach, usada há três anos como refúgio da família em feriados prolongados, Cristiane Quitete Nogueira, 44 anos, quer se mudar de vez em 2015 com o marido, o empresário aposentado Marco Antônio Gomes Nogueira, 56, e a filha mais nova do casal, Antônia, 5. “Vou em busca de mais qualidade de vida e segurança”, afirma. A questão da segurança é um fator importante na escolha de muitas pessoas. A psicóloga Taluana Cabral, 35 anos, considerou três episódios de violência urbana sofridos por sua família em Santos para que decidisse pela mudança. “Vivia em estado de alerta”, diz. “Em Miami, tenho outro estilo de vida. Matriculei meus filhos numa escola pública de Key Biscayne e faço quase tudo a pé.”

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Outro atrativo para os brasileiros é o dinamismo típico da sociedade americana. Ao contrário do que acontece no Brasil, montar um negócio nos Estados Unidos requer pouca burocracia. Para abrir uma empresa no ramo de logística, com instalações físicas e alvará de funcionamento, o empresário Junior Amaral, 46 anos, precisou de apenas um mês em Miami. Em São Paulo, chegou a esperar um ano e meio apenas por uma licença da prefeitura. Os brasileiros também estão descobrindo que obter um visto de permanência é menos complicado do que se imagina. Ainda que só a compra de um imóvel não garanta nenhum direito especial, empreendedores dispostos a investir a partir de US$ 500 mil num negócio que gere emprego a americanos ou residentes permanentes legais conseguem um visto de imigrante que, na maioria dos casos, se estende ao cônjuge e aos filhos menores de 21 anos. As licenças de moradia para não imigrantes são boas opções para os estrangeiros que ambicionam fazer um período de experiência nos Estados Unidos. Nesses casos, basta aos interessados se matricular em universidades e outras instituições de ensino, inclusive escolas de idiomas. Nunca foi tão fácil morar em Miami. Será que está chegando a sua vez?

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Fonte: IstoÉ Independente