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Brasileiros 'salvam' corretores nos EUA

Não faltará espaço para que a brasileira Dominique Benz instale uma churrasqueira na varanda de seu apartamento em Nova York.

No ano passado, Benz e o marido compraram dois apartamentos vizinhos em um prédio localizado no bairro de Chelsea, Manhattan.

Para concretizar o "capricho", eles planejam unir os dois imóveis, criando uma varanda de 62 metros quadrados -um dos maiores espaços privados abertos no centro da cidade.

O casal não terá problemas em encontrar brasileiros para o churrasco. Até meados deste mês, 8 das 181 unidades disponíveis no condomínio onde adquiriram os dois apartamentos já pertencem a compatriotas, reflexo de uma folia brasileira na "Big Apple" sem o menor sinal de queda.

"Ter um apartamento em Nova York era um sonho do meu marido desde garoto", diz Dominique Benz. Ele, que é carioca, trabalha no mercado financeiro em São Paulo.

Segundo o corretor Fredrik Eklund, que trabalha para a Prudential Douglas Elliman, o casal estava preparado para pagar a mais pelo segundo apartamento só para criar um dos maiores espaços abertos em prédios da cidade. Desembolsaram US$ 4,1 milhões pelos dois imóveis que, juntos, têm 260 metros quadrados.

"Para muitos, Manhattan é sua cidade dos sonhos", diz o brasileiro Marcos Cohen, outro corretor da Prudential Douglas Elliman. Cohen disse ter fechado mais de 15 vendas nos últimos dois anos para brasileiros que pagaram entre US$ 5 milhões e mais de US$ 15 milhões por um apartamento na "Big Apple".

A maior parte deles tem entre 30 e 40 anos e está ligada ao agronegócio (principalmente de commodities) ou ao setor financeiro. Ambos os setores criaram fortunas no país, principalmente após a onda de IPOs dos últimos anos.

Os alvos dessa turma em Manhattan estão ao longo do Central Park, no Upper East Side ou no centro, próximo ao Lincoln Center.

A discrição é outra marca dos brasileiros. Enquanto os russos -como Dmitry Rybolovlev, que comprou uma cobertura de US$ 88 milhões- divulgam suas aquisições à imprensa, os brasileiros se tornam, silenciosamente, os clientes mais assíduos dos corretores de alto padrão.

AJUDA DOS TRÓPICOS

Nem sempre foi assim. As décadas de 1980 e 1990, marcadas por crises econômicas, deixaram a moeda brasileira desvalorizada em relação ao dólar. Houve hiperinflação. Fazer compras no exterior era, portanto, complicado.

Agora, a economia brasileira já é a sexta maior do mundo. Reformas no sistema financeiro e inflação baixa trouxeram estabilidade.

A alta do preço das commodities e a demanda da China por esses produtos mantiveram o fluxo de dinheiro.

Resultado: os corretores nos EUA dizem que os brasileiros estão ajudando a levantar um mercado moribundo, afundado pela crise de 2008.

Além disso, os preços de imóveis no Brasil estão em alta. Entre abril e outubro de 2011, o preço do metro quadrado no Rio de Janeiro subiu mais de 20% nas áreas mais valorizadas da cidade, segundo o Ibope Inteligência.

"Até Nova York pode ser vista como uma barganha comparada ao Rio", diz Cohen, da Prudential.

Para a modelo Jeisa Chiminazzo, 26, que comprou um apartamento de dois quartos em TriBeCa por US$ 1,65 milhão, essa invasão brasileira tem um aspecto negativo. "Não dá mais para fofocar em português", diz.



Fonte: Folha.com

 


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